quarta-feira, 26 de junho de 2019

Novo dinossauro brasileiro caminhava sobre apenas um dedo

Reconstrução do Vespersaurus paranaensis em vida. Arte por Rodolfo Nogueira.

 Apresentado ao mundo nesta quarta-feira (26) em um evento na Universidade Estadual de Maringá (UEM), que reuniu paleontólogos do mundo todo, o Vespersaurus paranensis é o mais novo dinossauro brasileiro descrito - e o primeiro descoberto no estado do Paraná. Seus fósseis, um dos mais completos já descobertos no país, foram escavados perto do município de Cruzeiro de Oeste, no noroeste do estado, onde já haviam sido encontrados outros fósseis de criaturas do Cretáceo, como o pterossauro Caiujara dobruskii e o lagarto Gueragama sulamericana.

 Medindo quase 1,60 metro de comprimento, o Vespersaurus foi um pequeno dinossauro terópode do grupo dos Noasaurinae, pequenos carnívoros próximos dos abelissaurídeos que habitaram a região sul do mundo (desde a América do Sul até a China) durante o período Cretáceo. É um grupo estranho e bastante diversificado, com cada gênero possuindo características únicas que os diferenciavam uns dos outros.

 No caso do Vespersaurus, sua principal característica é um longo dedo central nos pés que suportava praticamente todo o peso do animal, transformando este dinossauro em um monodáctilo, ou seja, um animal que anda sobre apenas um dedo (como os cavalos atuais). Os dois dedos adjacentes eram mais curtos, ficavam elevados (como os de dromeossaurídeos, a família dos velocirraptores) e muito provavelmente nunca tocavam o chão, podendo ser usados para perfurar e raspar carne. Pegadas fósseis de um dinossauro monodáctilo já haviam sido encontradas no Brasil e na Argentina no passado, mas não se conhecia nenhum dino que poderia tê-las deixado; até agora.

O Vespersaurus caminhava apoiando-se sobre apenas um longo dedo. Reconstrução das patas do V. paranaensis (1) e foto do fóssil encontrado (2).

 Os braços desse animal eram extremamente curtos, com a metade do tamanho de suas pernas. Na época em que esse dinossauro viveu, a região em que habitava era um grande deserto conectado com a África, formando o supercontinente de Gondwana. Seu nome é uma homenagem à cidade onde foi descoberto, já que significa algo como "Lagarto do Oeste Paranaense". Os pesquisadores acreditam que essa descoberta incentive outras expedições à região, em busca de novos e inéditos fósseis do período Cretáceo.

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