quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

Nova descoberta revela que pterossauros tinham penas

Concepção artística de um dos pterossauros descobertos com os 4 tipos de penas no corpo (Imagem: Yuan Zhang/Nature Ecology & Evolution).

 Há muito tempo a ciência já nos mostrou que dinossauros e pterossauros são dois grupos de répteis com um ancestral em comum e, portanto, compartilham algumas características semelhantes. Mas, uma nova descoberta na China parece nos mostrar uma novíssima e excitante semelhança entre eles: a presença de penas.



 O paleontólogo Baoyu Jiang, da Universidade de Nanjing, e sua equipe descobriram recentemente dois fósseis de pterossauros (sendo um deles de uma espécie completamente nova) datados do período Jurássico, há 160 milhões de anos atrás, e eles mostravam sinais muito claros da presença de penas. De acordo com a equipe de Jiang, 4 tipos diferentes de plumagens podem ser percebidas nos fósseis, cada uma em uma região do corpo, provavelmente com funções diferenciadas. Essas penas excepcionalmente bem preservadas se assemelham muito às penas de alguns dinossauros terópodes e estavam presente por quase todo o corpo desses animais, incluindo cabeça, pescoço, corpo e asas.

Os quatro tipos diferentes de plumagem encontradas nos novos fósseis de pterossauros (Foto: Nature Ecology & Evolution).

 A presença de uma cobertura filamentosa no corpo dos pterossauros não é uma descoberta nova. Há décadas os paleontólogos já sabiam que eles tinham essa cobertura; e chamavam esses filamentos de picnofibras. Mas os cientistas acreditavam que essa estruturas eram diferentes das penas dos dinossauros, sendo mais parecidas com pelos ou cabelos. A nova descoberta, porém, nos mostra que as penas teriam surgido em algum ancestral em comum entre dinossauros e pterossauros; consequentemente evoluindo em ambos os grupos. A idade dos fósseis também nos mostra que as penas teriam surgido pelo menos 70 milhões de anos antes do que se imaginava anteriormente. A equipe, inclusive, aponta que esses animais teriam penas nas cores marrons e avermelhadas, o que os ajudaria a se camuflar em seu ambiente. Como são animais pequenos, os paleontólogos os descreveram como semelhantes a morcegos marrons.

 Apesar das descobertas, alguns cientistas continuam céticos e argumentam que as penas propriamente ditas poderiam ter surgido independentemente em ambos os grupos, sem ser necessário um ancestral comum emplumado. Outros, porém, parecem mostrar grande entusiasmo com a descoberta e acreditam na hipótese desse ancestral comum. A verdade, contudo, dependerá de novas descobertas futuras para ser revelada. Ainda assim, o achado de Jiang e sua equipe é um passo importante nas teorias evolutivas dos pterossauros e dinossauros.

Fóssil de um dos pterossauros encontrados e as penas presentes nele (Foto: Nature Ecology & Evolution).



Fontes:
3. O Globo.

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