domingo, 29 de julho de 2018

Smilodon


Créditos: Mauricio Anton.
Nome: Smilodon ("Dente de Faca" ou "Dente de Sabre").
Época: Pleistoceno e Holoceno.
Local: América.

 Smilodon foi um gênero de grandes felinos que habitaram a América entre Pleistoceno e o início do Holoceno, entre 2.5 milhões e 10.000 anos atrás. Seus primeiros fósseis foram descobertos nos anos de 1830 em uma caverna próxima à cidade de Lagoa Santa, MG, Brasil, pelo paleontólogo dinamarquês Peter Wilhelm Lund e seus assistentes. Na época, Lund acreditava que os dentes encontrados por ele pertenciam a um tipo de hiena antiga, que ele chamou de Hyaena neogaea em 1839. Foi só algum tempo depois, com a descoberta de mais fósseis na região, que Lund se deu conta que o animal era, na verdade, um grande felino. Então, em 1942, Peter nomeou o animal como Smilodon populator. Depois disso, fósseis de smilodons passaram a ser descobertos em várias partes das Américas, em especial na América do Sul e do Norte.


 Em 1869, o paleontólogo americano Joseph Leidy descreveu parte de um maxilar e um dente molar encontrado em Hardin County, no Texas, EUA. No início, Leidy descreveu o animal como um gato do gênero Felis, mas mudou de ideia quando Edward D. Cope mostrou que esse fragmento era idêntico aos descobertos por Lund na América do Sul. Com essa nova descoberta, uma nova espécie era classificada: o Smilodon fatalis. Apesar de ser considerada uma espécie válida, há pouco registro fóssil do S. fatalis, o que fez muitos paleontólogos sugerirem que ele era, na verdade, um espécime sub-adulto de S. populator.


 A terceira e última espécie válida de smilodon foi descrita por Edward Cope em um artigo de 1880 sobre felinos extintos. Os fósseis haviam sido encontrados em uma caverna perto do Rio Schuylkill, na Pensilvânia, EUA, e pertenciam a um animal que Cope nomeou como Smilodon gracilis. Dezenas de fósseis de smilodon foram descobertos pelas Américas desde então, e várias espécies foram descritas, mas apenas três são consideradas válidas. Um dos locais em que mais se encontraram fósseis foram nos poços de piche de La Brea Tar Pits, em Los Angeles, EUA, que no passado haviam sido uma armadilha natural para diversos animais, incluindo predadores como o smilodon. Não por acaso, o smilodon se tornou um animal extinto extremamente popular na Califórnia após essas descobertas.

 Popularmente, o smilodon é chamado de "tigre dentes de sabre", o que se mostra um equívoco, já que ele não era um tigre. Na verdade, todos os felinos atuais (leões, tigres, onças, etc.) possuem um ancestral em comum com o smilodon, mas não são descendentes evolutivos dele. Seu nome faz alusão aos seus caninos superiores que eram longos e curvos como um sabre. Esses dentes poderiam medir até 28 centímetros de comprimento e eram usados para perfurar o pescoço da vítima. Apesar de não parecer, a mordida dos smilodons era relativamente fraca, sendo equivalente a 1.300 N, apenas um terço da força da mordida de um leão atual. Seus caninos alongados eram uma forma de compensar uma mordida tão fraca, perfurando a jugular e esmagando a traqueia, matando a presa por hemorragia e sufocamento. Apesar disso, seus dentes eram relativamente frágeis e incapazes de perfurar ossos sem algum tipo de dano. Mas sua fragilidade tinha uma função: caso a vítima se debatesse, apenas o canino do smilodon seria fraturado e não toda a sua mandíbula. Outra característica incomum desse animal é que ele conseguia abrir sua mandíbula em um ângulo de 120º, o dobro do que um leão atual consegue!

 Ainda não se sabe se o smilodon era um predador social, como os leões, ou um caçador solitário, como onças e tigres. Suas patas eram relativamente pequenas e sua estrutura corporal era pesada. Isso parece indicar que o smilodon era um caçador de emboscadas, escondendo-se na vegetação alta e esperando uma presa distraída que pudesse alcançar e derrubar em uma arrancada. Além disso, essas mesmas características indicam que o smilodon seria incapaz de escalar árvores. Sua velocidade máxima deveria ficar em torno de 40 a 48 km/h, mas não conseguiria manter essa velocidade por muito tempo. Sendo um predador de topo de cadeia, muitos animais estavam incluídos no menu do smilodon. Bisões, camelídeos, cervídeos, preguiças gigantes, cavalos, ungulados e até mesmo gliptodontes blindados eram presas desses animais. Tinha garras retráteis curvas e afiadas, que eram usadas tanto como armas, contra presas e rivais, quanto como ferramentas de higiene pessoal.

Os caninos alongados do smilodon eram usados para perfurar a jugular e esmagar a traqueia das vítimas, matando suas presas por hemorragia e sufocamento. Ainda não se sabe se este animal era um predador social ou um caçador solitário, mas, caso caçasse em grupo, poderia derrubar animais bem maiores, como este toxodonte. 
(Créditos: Prehistoric Park; Impossible Pictures).

 Os smilodons surgiram primeiramente na América do Norte, migrando mais tarde para a América Central e América do Sul, durante o "Grande Intercâmbio Biológico Americano". Quando chegaram por aqui, os smilodons foram uma das causas da extinção de outros predadores nativos, como as aves do terror e marsupiais carnívoros, como o thylascomilus, que não conseguiram competir com um predador tão bem adaptado. Porém, nem mesmo eles se salvaram da extinção, sumindo do mapa por volta de 10.000 anos atrás. Entre as possíveis causas de sua extinção estão as mudanças climáticas, o desaparecimento de grandes mamíferos (que lhe serviam de presas), interferência humana na cadeia alimentar e no ambiente e a competição com outros predadores melhor adaptados.

 O smilodon foi um dos maiores, se não o maior, felino que já caminhou pela Terra. Apesar disso, seu tamanho variava conforme a espécie. O S. populator, que caçou pelas planícies sul americanas, foi o maior de todos, medindo até 1.2 m de altura e pesando entre 400 e 470 kg. O menor dos smilodons foi o S. gracilis, que pesava até 100 kg e tinha o tamanho de uma onça-pintada. O S. fatalis era um meio termo entre essas duas espécies, medindo até 1 metro de altura, 1.75 m de comprimento e pesando entre 160 e 280 kg. Diferente de outros grandes felinos, o smilodon tinha uma cauda extremamente curta, outra evidência de que esse não era um animal adaptado para corridas.


Na Cultura Popular:

  • O smilodon é um dos animais pré-históricos mais representados na cultura pop. Porém, assim como costuma acontecer com outros animais, o smilodon geralmente tem seu tamanho, morfologia e habilidades exagerados além do real por uma licença poética.
  • No cinema, esse animal aparece em filmes como Simbad e o Olho do Tigre, 10.000 a.C e na série de animações A Era do Gelo, entre outros.
  • Nos games, o smilodon faz aparições em ParaWorld, Ark: Survival Evolved, The Elder Scrolls V: Skyrim, Zoo Tycoon, World of Warcraft, Jurassic World: The Game, entre muitos outros.
  • Na TV, este animal faz aparições em Primeval e em Parque Pré-Histórico.
  • Nos quadrinhos da Marvel Comics existe um smilodon chamado Zabu que é o companheiro de um personagem desse universo de super-heróis chamado Ka-Zar. Além disso, "Dentes-de-sabre" é o nome dado a um icônico vilão do mutante Wolverine.
  • No livro de fantasia brasileiro A Batalha do Apocalipse, escrito por Eduardo Spohr, o rei Nimrod possui um smilodon de estimação.

Galeria:

Por ser um predador de topo de cadeia, duelos entre smilodons pelo controle de territórios e os melhores lugares de caça deveriam ser comuns. (Créditos: Walking With Beasts. BBC).























O smilodon preferia viver em regiões de campos e planícies ao invés de florestas ou lugares congelados. (Créditos: Charles R. Knight).


















Reconstrução do fóssil de um Smilodon populator no Museu de La Plata, em Buenos Aires, Argentina. (Créditos: Wikipédia. Javier Conles).


















Classificação Científica:

Reino: Animalia.
Filo: Chordata.
Classe: Mammalia.
Ordem: Carnivora.
Subordem: Feliformia.
Família: Felidae.
Subfamília:  Machairodontinae.
Tribo:  Smilodontini.
Gênero:  Smilodon.
Espécies:  Smilodon populator,  S. fatalis,  S. gracilis.




Fontes:
4. BIANCHIN, Victor. Como era a anatomia de um tigre-dente-de-sabre? Revista Coleção Mundo Estranho: Por Dentro das Coisas - Os Segredos dos Animais. Editora Abril; 2017. Páginas 26 e 27.
5. Documentário Walking With Beasts. BBC. 2001.
6. Documentário Prehistoric Park. Impossible Pictures. 2006. Episódio 4: Save the Sabre-Tooth.

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